Audiência de The Walking Dead cai ainda mais nos Estados Unidos

Audiência de The Walking Dead cai ainda mais nos Estados Unidos

 

A audiência de “The Walking Dead” segue em queda livre. Segundo a consultoria Nielsen, o episódio do último domingo (11/3) foi visto por 6,6 milhões de pessoas ao vivo nos Estados Unidos, a menor audiência da 8ª e atual temporada. Assim, cristaliza-se a tendência de encolhimento, abaixo da média de público da 2ª temporada, assistida por 6,9 milhões entre 2011 e 2012.

Para dar noção da rapidez do vazamento, a temporada anterior, que já tinha preocupado o canal pago pela queda de público, manteve média de 11,3 milhões de telespectadores por episódio. Em um ano, o público caiu praticamente pela metade.

Agora, o público só supera a média da 1ª temporada, vista por 5,2 milhões em 2010.

Entretanto, em relação ao público-alvo, a medição de 2,8 pontos é a pior desde o quarto episódio da 1ª temporada, que registrou 2,4 pontos na demo, quando a série não era tão conhecida. Ou seja, isto significa que o último episódio supera apenas quatro episódios de todo a série em termos de audiência qualificada.

Quando essa tendência começou a ficar clara, acompanhada por comentários negativos, petições e protestos nas redes sociais contra o ritmo e opções narrativas da série, a AMC decidiu “promover” o showrunner Scott M. Gimple, na prática afastando-o do dia-a-dia da produção. Mas isso pode ter acontecido tarde demais.

Gimple sai da produção após matar um dos personagens mais queridos do público, o jovem Carl, que ainda está vivo nos quadrinhos em que a série se baseia. Mais importante que isso, enquanto seu antecessor, Glen Mazzara, tratou da adaptação do arco do Governador de forma rápida, por uma temporada e meia (21 episódios), Gimple esticou o confronto contra Negan além do necessário, com três dezenas de capítulos que pausam mais do que avançam a história, dispersando o foco por diversos personagens irrelevantes.

Mais de 10 milhões de pessoas desistiram de seguir a série desde a 6ª temporada e não retornaram.

A aposta de que uma morte traumatizante, como a de Carl, interpretado por Chandler Riggs, ajudasse a trazer o público de volta se provou equivocada. Mais pessoas abandonaram o programa.

Paralelamente, o canal segue se recusando a negociar o aumento salarial pedido pela intérprete de outra personagem querida. A atriz Lauren Cohan já começar a gravar sua participação no piloto de uma nova série, supostamente recebendo o dobro.

Diante do impasse, a intérprete de Maggie já deixou claro que prefere escapar do apocalipse que se abate sobre a série. A dúvida é se “The Walking Dead” sobreviverá a mais uma perda significativa em seu elenco, por decisões suicidas de sua própria equipe.

No Brasil, “The Walking Dead” é exibida pelo canal pago Fox e, sem intervalos comerciais, no Fox Premium 2.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna