Funcionária de Harvey Weinstein revela bastidores da rotina de abuso sexual do produtor

Funcionária de Harvey Weinstein revela bastidores da rotina de abuso sexual do produtor

 

Uma das assistentes de Harvey Weinstein, usada para acobertar casos de assédio do produtor, contou detalhes de seu trabalho em entrevista ao jornal inglês The Guardian, após várias atrizes revelarem cumplicidade das funcionárias do produtor em atos de abuso. As atrizes denunciaram que as assistentes as convidavam para reuniões e participavam do começo delas, mas logo arranjavam uma desculpa para sair, deixando executivo sozinho para assediá-las.

“Ele nos usava para parecer menos predatório”, confirmou a mulher, que não quis se identificar e trabalhou como assistente de Weinstein em Londres nos últimos cinco anos. “Era uma relação abusiva em todos os níveis”. Segundo ela, tudo era “muito mais complicado” do que podia aparecer. “Nós não estávamos seguras também”.

A ex-assistente de Weinstein contou que ela e outras ex-colegas também foram vítimas dos abusos do patrão, que as “explorava e manipulava”, deixando algumas “severamente traumatizadas”.

Ela alegou que a equipe do produtor era forçada a fazer tarefas degradantes e humilhantes para encobrir os atos dele. “Você acha que vai conseguir essa carreira ilustre. Você realmente quer acreditar que vai ter sucesso. Ele se aproveita disso. Ele se aproveita de pessoas jovens e vulneráveis, a quem ele pode manipular”, disse ela.

Embora tenha sido contratada como assistente de negócios, para trabalhar em desenvolvimento e aquisições de projetos, a ex-assistente frequentemente era obrigada a fazer trabalho de assistente pessoal de Weinstein. “Sexo era uma parte diária do meu trabalho para ele. Ela sobre facilitá-lo de muitas maneiras. Era realmente nojento”, disse ela, que foi encarregada de manter mulheres com quem Weinstein dormiu longe da então mulher do produtor, a estilista Gerogina Chapman, da grife Marchesa, em eventos.

A mulher tentou justificar sua participação nos casos explicando que muitas das funcionárias de Weinstein, incluindo ela própria, não sabiam que estavam encobrindo casos de abuso sexual e estupro. “Ele manipulou todo mundo em seu caminho com um único propósito: o sexo”, disse ela.

“É horrível. Eu deveria ter ido embora. Eu deveria ter dito alguma coisa (…) Aquilo era abuso de poder. Elas (as jovens atrizes em busca de oportunidades de trabalho) achavam que fossem tirar algo daquilo”.

Mais de 40 mulheres já declararam terem sido abusadas pelo produtor desde que a atriz Ashley Judd tomou coragem para ser a primeira a denunciar publicamente o comportamento do magnata, numa reportagem do jornal The New York Times, publicada em 5 de outubro. Em pouco mais de uma semana, diversas estrelas famosas compartilharam suas experiências de terror com Weinstein, entre elas Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Rose McGowan, Léa Seydoux e Cara Delevingne. Uma reportagem ainda mais polêmica, da revista New Yorker, apresentou as primeiras denúncias de estupro, inclusive da atriz Asia Argento.

Após o escândalo ser revelado, Weinstein foi demitido da própria produtora, The Weinsten Company, teve os créditos de produtor retirado de todos os projetos em andamento de que participa e foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, responsável pelo Oscar, e pelo BAFTA, a Academia britânica. Ele também deve enfrentar um processo criminal.

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Pedro Prado é cinéfilo, fã de séries e quadrinhos, fotógrafo amador e bom amigo da vizinhança.