Filme argentino Ninguém Está Olhando vence o festival Cine Ceará

Filme argentino Ninguém Está Olhando vence o festival Cine Ceará

 

O filme argentino “Ninguém Está Olhando” foi o grande vencedor do 27° Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema. É a segunda vez que a diretora Julia Solomonoff vence o festival. Ela já tinha conquistado o prêmio de Melhor Filme com “O Último Verão de La Boyita” em 2009.

Além do troféu de Melhor Filme, “Ninguém Está Olhando” também rendeu a Guillermo Pfening o troféu de Melhor Ator, ironicamente por interpretar um ator. Na trama, ele é um astro latino que resolve tentar carreira nos Estados Unidos e não consegue deslanchar – muito loiro para viver latino, com sotaque para interpretar americano – , espelhando trajetórias que costumam se repetir. A produção também recebeu o prêmio de Melhor Montagem e o Prêmio da Crítica, em cerimônia realizada na noite desta sexta-feira, no cinema São Luiz, em Fortaleza.

Curiosamente, os outros dois filmes que se destacaram na premiação são produções passadas em Cuba, que revelam um país bem diferente dos cartões postais castristas. O prêmio de Melhor Direção ficou com o cubano Fernando Pérez, por “Últimos Dias em Havana”, também premiado por sua Fotografia, que retrata a condição miserável de vida de dois amigos, um morrendo de Aids, outro de vontade de ir para os Estados Unidos.

Se a sexualidade parece enrustida nesta produção, em “Santa e Andrés”, de Carlos Lechuga, premiado com o troféu de Melhor Roteiro, é o ponto de partida para explicar porque um escritor talentoso se torna mal-visto pelos “revolucionários” e acaba exilado num local ermo, com uma mulher rústica (Lola Amores, Melhor Atriz) como carcereira de sua liberdade.

Confira abaixo os demais premiados.

Vencedores do Cine Ceará 2017

Mostra Competitiva Ibero-americana

Melhor Filme
“Ninguém Está Olhando”, de Julia Solomonoff

Melhor Direção
Fernando Pérez (“Últimos Dias em Havana”)

Melhor Ator
Guillermo Pfening (“Ninguém Está Olhando”)

Melhor Atriz
Lola Amores (“Santa e Andrés”)

Melhor Roteiro
Carlos Lechuga (“Santa e Andrés”)

Melhor Fotografia
Raúl Pérez Ureta (“Últimos Dias em Havana”)

Melhor Montagem
Andrés Tamborino, Karen Sztanjberg e Pablo Barbieri (“Ninguém Está Olhando”)

Melhor Som
Isaac Moreno (“Uma Mulher Fantástica”)

Melhor Trilha Sonora
Matthew Herbert (“Uma Mulher Fantástica”)

Melhor Direção de Arte
Tulé Peake (“Malasartes e o Duelo com a Morte”)

Prêmio da Crítica (Abraccine)
Ninguém Está Olhando, de Julia Solomonoff

Mostra Competitiva Brasileira de Curtas

Melhor Curta
“Festejo Muito Pessoal”, de Carlos Adriano

Melhor Direção
Estevão Meneguzzo e André Félix (“Valentina”)

Melhor Roteiro
Felipe Camilo (“Memórias do Subsolo ou o Homem que Cavou até Encontrar uma Redoma”)

Melhor Produção Cearense
“Caleidoscópio”, de Natal Portela

Prêmio da Crítica (Abraccine)
“Filó, a Fadinha Lésbica”, de Sávio Leite

Mostra Olhar do Ceará

Melhor Curta
“A Lenda Cotidiana”, de Bárbara Moura e S. de Sousa

Prêmio Olhar Universitário

Melhor Longa
“Últimos Dias em Havana”, de Fernando Pérez

Melhor Curta
“Simbiose”, de Júlia Morim

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna