Crítica: Perdidos em Paris se inspira no pastelão para divertir com poesia e inocência

 

Típica comédia pastelão francesa, “Perdidos em Paris” mostra a predileção dos diretores Dominique Abel e Fiona Gordon (ambos de “Rumba”) pelo cinema mudo de Charles Chaplin, o que, claro, oferece bastante comicidade visual a um roteiro que, inicialmente, soa bobinho, mas mostra potencial para surpreender o público.

Um dos trunfos da trama é o divertido elenco, encabeçado pela dupla de diretores ao lado da maravilhosa Emmanuelle Riva, estrela de clássicos do cinema como “Hiroshima Mon Amour” (1959), de Alain Resnais, e “Amor” (2012), de Michael Haneke, aqui em uma de suas últimas aparições na tela (ela faleceu em janeiro de 2017 aos 89 anos, e ainda há um filme seu, “La Sainte Famille”, de Marion Sarraut, para estrear).

Na trama, Fiona é uma bibliotecária que trabalha em uma pequena cidade canadense. Ela recebe uma carta de sua tia Martha (Emmanuelle Riva), que se mudou muitos anos atrás para Paris e agora, bastante idosa, pede ajuda da sobrinha, pois médicos do departamento de saúde parisiense querem coloca-la em um asilo.

Fiona então parte para Paris, falando pouco francês e se envolvendo em diversas confusões. Numa delas, conhece o mendigo Dom (Dominique Abel) e juntos saem a procurar por Martha, que está vagando pelas ruas de Paris fugindo dos médicos.

“Perdidos em Paris” soa excessivamente teatral em alguns momentos, mas pode fazer sorrir quem estiver procurando uma comédia leve e descompromissada, que não promove gargalhadas nem promete o filme do ano, mas diverte com poesia, dança e inocência.

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Marcelo Costa é jornalista e curador musical, além de sommelier de cervejas. Em seus 47 anos de sonho, sangue e América do Sul, dedicou 17 a um fanzine que virou site, o Scream & Yell. Nele, fala sobre cultura pop em geral, mas principalmente sobre música.