Miguel Ferrer (1955 – 2017)

Miguel Ferrer (1955 – 2017)

 

Morreu o ator Miguel Ferrer, que foi vilão em diversos filmes e policial em inúmeras séries. Ele sofria de câncer na garganta e faleceu nesta quinta-feira (19/1), aos 61 anos.

Ferrer nasceu em Hollywood. Ele era filho de artista, do grande José Ferrer (vencedor do Oscar por “Cyrano de Bergerac”) e da cantora Rosemary Clooney (“Natal Branco”). Seu primo, o ator George Clooney, foi quem compartilhou a notícia. “Miguel deixou o mundo mais brilhante e engraçado e a perda dela será sentida profundamente em nossa família”.

Antes de se tornar ator, ele tentou ser músico, tocando bateria nas turnês de sua mãe e do cantor Bing Crosby. E devia ser bom, porque foi convidado por ninguém menos que Keith Moon, o lendário baterista da banda The Who, a tocar bateria em seu disco solo, “Two Sides of the Moon” (1975). Embora não tenha investido na carreira musical, nos últimos anos retomou a música como passatempo, formando uma banda com seu velho amigo Bill Mumy (o Will Robinson de “Perdidos no Espaço”), The Jenerators.

Após figurar em séries e filmes no começo dos anos 1980 – inclusive como oficial da Federação em “Jornada nas Estrelas 3” (1984) – acabou chamando atenção em “RoboCop” (1987), como um dos executivos da empresa responsável em criar o “policial do futuro”. Foi tão convincente que acabou marcado como vilão, voltando a viver papel de malvado em vários gêneros, como na sci-fi “Abismo do Terror” (1989), no thriller “A Assassina” (1993), na comédia “Uma Nova Tocaia” (1993), no drama “Traffic: Ninguém Sai Limpo” (2000) e até no filme de super-herói “Homem de Ferro 3” (2013).

Ironicamente, a TV o via de forma completamente oposta, como um cara do bem. Ferrer acabou se especializando em homens da lei, estrelando diversas séries, a começar pela clássica “Twin Peaks”, na qual interpretou o agente do FBI Albert Rosenfield, contracenando com Kyle MacLachlan, o criador da série David Lynch e o cantor David Bowie.

Ele também combateu o crime em tempo integral nas séries “Broken Badges”, “Crossing Jordan” (em mais de 100 capítulos), no remake de “A Mulher Biônica”, “The Protector” e “NCIS: Los Angeles” (também em mais de 100 capítulos), que ainda tem episódios inéditos com seu personagem, Owen Granger, em sua 8ª temporada.

Por coincidência, seu último trabalho foi uma volta ao primeiro personagem fixo de sua carreira televisiva. Ele retomou o agente Rosenfield no revival de “Twin Peaks”, cuja estreia está marcada para maio.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna