La La Land vence tudo e quebra recorde em consagração no Globo de Ouro

La La Land vence tudo e quebra recorde em consagração no Globo de Ouro

 

O musical “La La Land” venceu todos os sete troféus a que concorria no Globo de Ouro 2017: Melhor Filme de Comédia ou Musical, Ator (Ryan Gosling), Atriz (Emma Stone), Direção e Roteiro Original (ambos de Damien Chazelle), Canção e Trilha Sonora (ambos de Justin Hurwitz). A soma é recorde na premiação, que geralmente é mais parcimoniosa.

Na verdade, desde os anos 1970 um filme não tinha tamanha consagração entre os jornalistas que compõem a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood. Dois dramas detinham o recorde anterior, de seis vitórias: “Um Estranho no Ninho” (1975) e “Expresso da Meia Noite” (1978). Em tempos mais recentes, a última vez em que um filme recebeu mais de três Globos de Ouro foi em 2009, com “A Rede Social”.

Entretanto, isto não aumenta nem diminui o favoritismo de “La La Land” para o Oscar, uma vez que os eleitores são outros. Além disso, o prêmio é completamente idiossincrático, a começar por separar um musical como “La La Land” dos filmes dramáticos.

O Melhor Filme de Drama, a propósito, foi “Moonlight”, favorito da categoria, enquanto o prêmio de Ator de Drama ficou com Casey Affleck, por “Manchester À Beira-Mar”, e o de Atriz com Isabelle Huppert, por “Elle”. O suspense francês também venceu como Melhor Filme em Língua Estrangeira, apesar de não figurar entre os finalistas do Oscar.

Em seu agradecimento, Huppert se emocionou bastante e frisou que o cinema não tem fronteiras, reforçando o melhor discurso da noite, proferido por Meryl Streep. Homenageada com um prêmio pela carreira, Meryl tratou de lembrar que boa parte de Hollywood era composta por estrangeiros, de Natalie Portman a Ruth Negga, fator relevante diante da eleição de um presidente de plataforma xenófoba. “Hollywood está repleta de forasteiros e estrangeiros, e se você nos chutar todos para fora (do país), você não terá nada para assistir, exceto futebol e MMA, que não são arte”, a diva sentenciou.

A mensagem teve especial repercussão no evento organizado por estrangeiros, que, além de premiar um francesa como Melhor Atriz, também se rendeu à supremacia britânica nas categorias televisivas.

Com três Globos de Ouro, a minissérie inglesa “The Night Manager” foi a atração mais premiada da TV, confrontando o favoritismo de “The People vs. O.J. Simpson” – que mesmo assim saiu com dois troféus. Outra vitória do Reino Unido se deu na cobiçada categoria de Melhor Série de Drama, onde “The Crown” superou “Game of Thrones” e outras séries mais badaladas. A atriz Claire Foy, intérprete da rainha Elizabeth II em “The Crown”, ainda venceu como Melhor Atriz.

Entre as atrações de comédias, “Atlanta” foi a grande vitoriosa, como Melhor Série e Ator, prêmio conquistado por seu criador Donald Glover.

As premiações de “Atlanta” e “The Crown” ainda mantiveram a tradição do Globo de Ouro de destacar séries em 1ª temporada.

Entretanto, o mais curioso no balanço televisivo é verificar a completa e absoluta derrota das produções da HBO em todas as categorias.

Até a série invisível “Goliath”, da Amazon, ausente das discussões de melhores do ano, foi premiada, via reconhecimento ao desempenho de Billy Bob Thornton como Melhor Ator de Drama. Claro, reza a lenda que nada é realmente surpreendente no Globo de Ouro. E, por coincidência, Jeff Bezos, proprietário da Amazon, estava presente na cerimônia em mesa bem situada. Não só isso: teve seu nome e ego agraciados pelo apresentador Jimmy Fallon logo no esquete de abertura. A Amazon ainda é coprodutora de “Manchester à Beira-Mar” que, novamente por coincidência, também levou o prêmio cinematográfico na mesma categoria – Melhor Ator de Drama.

Confira abaixo a lista completa dos premiados.

Indicados ao Globo de Ouro 2017

CINEMA

Melhor Filme – Drama
“Moonlight

Melhor Filme – Comédia/Musical
“La La Land”

Melhor Diretor
Damien Chazelle, por “La La Land”

Melhor Ator em Drama
Casey Affleck, por “Manchester à Beira-Mar”

Melhor Atriz em Drama
Isabelle Huppert, por “Elle”

Melhor Ator em Comédia/Musical
Ryan Gosling, por “La La Land”

Melhor Atriz em Comédia/Musical
Emma Stone, por “La La Land”

Melhor Ator Coadjuvante
Aaron Taylor Johnson, por “Animais Noturnos”

Melhor Atriz Coadjuvante
Viola Davis, por “Cercas”

Melhor Roteiro
Damien Chazelle, por “La La Land”

Melhor Animação
“Zootopia”

Melhor Filme Estrangeiro
“Elle” (França)

Melhor Trilha Sonora
Justin Hurwitz, por “La La Land”

Melhor Canção
“City of Stars”, de “La La Land”

TELEVISÃO

Melhor Série de Drama
“The Crown”

Melhor Série de Comédia/Musical
“Atlanta”

Melhor Minissérie ou Telefilme
“The People vs. OJ Simpson – American Crime Story”

Melhor Atriz em Série de Drama
Claire Foy, por “The Crown”

Melhor Ator em Série de Drama
Billy Bob Thornton, por “Goliath”

Melhor Ator em Série de Comédia
Donald Glover, por “Atlanta”

Melhor Atriz em Série de Comédia
Tracy Ellis Ross, por “Black-ish”

Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme
Tom Hiddleston, por “Night Manager”

Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme
Sarah Paulson, por “People v. OJ Simpson: American crime story”

Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme
Olivia Colman, por “The Night Manager”

Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme
Hugh Laurie, por “The Night Manager”

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna

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