Estreia de Inferno ocupa a maior parte dos cinemas na semana

 

Os oito lançamentos desta quinta (13/10) vão do céu ao inferno. “Inferno – O Filme”, claro, é para mais gente, com a distribuição mais ampla da semana – 816 salas. Terceiro longa da franquia iniciada por “O Código Da Vinci”, volta a trazer Tom Hanks no papel do simbologista Robert Langdon, às voltas com novas mensagens secretas em obras de arte renascentistas. Parte quebra-cabeças, parte filme de ação, é mais um longa mediano da carreira do diretor Ron Howard, que assinou as duas adaptações anteriores dos best-sellers de Dan Brown. Nenhum filme da trilogia agradou a crítica americana e o novo mantém a média, com 27% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Para o pós-Dia das Crianças, o destaque é a animação “Kubo e as Cordas Mágicas” em 267 salas (100 em 3D). Mas até os adultos poderão se divertir com a produção, influenciada pela cultura dos animes japoneses. A nova animação do estúdio Laika preserva a técnica stop-motion que marca sua impecável filmografia – “Coraline e o Mundo Secreto” (2009), “ParaNorman” (2012) e “Os Boxtrolls” (2014) – , além de manter sua característica de apostar numa temática mais sombria que a média da animação americana.

Ambientada no Japão feudal, a animação acompanha o personagem-título Kubo, um menino que vive em um pacato vilarejo com sua mãe, até que um espírito vingativo o encontra, trazendo à tona sua herança sobrenatural. Sua única chance de sobrevivência é encontrar uma armadura que pertenceu a seu pai samurai, com a ajuda de um macaco falante e um besouro guerreiro.

Todas as cópias são dubladas por brasileiros, portanto de nada adiantar ler nos créditos que as vozes foram originalmente feitas por um superelenco que inclui até Charlize Theron (“Mad Max: A Estrada da Fúria”) e Matthew McConaughey (“Interestellar”). Ah, sim: tem 97% de aprovação no Rotten Tomatoes!

Um das surpresas da semana é “O Shaolin do Sertão”, uma comédia brasileira que se diferencia radicalmente do sotaques e palavrões que dominam o gênero no país. A produção tem lançamento primeiro no Ceará para expandir para o resto do Brasil no dia 20.

Com a mesma paixão pelo cinema demonstrada em “Cine Holliúdy” (2012), o “Cinema Paraíso do Ceará”, o diretor cearense Halder Gomes homenageia os filmes de artes marciais com humor popular, repleto de ação e acabamento profissional, evocando os melhores filmes dos Trapalhões. Por sinal, Dedé Santana faz uma participação na história, que acompanha o personagem de Edmilson Filho, um jovem sertanejo que se imagina num universo paralelo, onde é campeão de kung fu e salva a amada (Bruna Hamú) de inúmeros inimigos. A homenagem aos filmes de Hong Kong dos anos 1970 chega até a algumas preferências estéticas, mas tudo é feito sem muita seriedade, visando a mais pura e completa diversão. Nem sempre as piadas fazem rir e algumas são preconceituosas. Afinal, o kung fu brasileiro é mais Renato Aragão que Quentin Tarantino.

O suspense argentino “Kóblic” também não compromete, ao voltar a reunir Ricardo Darín com o diretor Sebastián Borensztein após a boa comédia “Um Conto Chinês” (2011). O tom é outro, sinistro como a época da ditadura em que se passa. Buscando um lugar para se esconder, após desobedecer uma ordem que lhe trouxe conflito moral, o piloto da marinha vivido por Darín vai parar numa cidadezinha de faroeste, chamando atenção do delegado corrupto e do chefete do crime local. Chega em 54 salas.

Com elenco liderado por Nicole Kidman, “Terra Estranha” gira em torno do desaparecimento dos filhos da personagem da atriz, mas, apesar de bela fotografia, não vai além do melodrama, esgotando o suspense ao sugerir muitas direções para a trama. Produção australiana, agradou só 37% no Rotten Tomatoes e não teve o circuito revelado.

O último filme estrangeiro da programação é o espanhol “Noite de Verão em Barcelona”, uma coleção antológica de histórias românticas que chega em nove salas, apropriando-se do mote dos filmes das “Cidades do Amor” – “Paris, Eu Te Amo”, “Rio, Eu Te Amo”, etc – , inclusive na arte em forma de coração. O longa é de 2013 e já teve até continuação lançada há dois anos.

Dois filmes brasileiros completam o circuito limitado. Em dez salas, o documentário “Do Pó da Terra” retrata os artesãos e moradores do Vale do Jequitinhonha, que criam arte a partir do barro.

Por fim, “Deixe-me Viver” é um primo pobre do “Nosso Lar”, com efeitos especiais que tornam o céu parecido com a São Paulo futurista das antigas campanhas de Paulo Maluf, e onde espíritos levitam com auxílio de chroma key, um truque visual que datou nos anos 1980. O filme é baseado em livro psicografado anti-aborto e leva sua doutrinação com exclusividade à rede Cinépolis, em 44 salas.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna