Aquarius: Pênis ereto e sexo grupal renderam a classificação para maiores de 18 anos

Aquarius: Pênis ereto e sexo grupal renderam a classificação para maiores de 18 anos

 

Diante da insinuação do diretor Kleber Mendonça Filho de que a classificação indicativa do filme “Aquarius” para maiores de 18 anos seria retaliação por sua postura política, a reportagem do jornal O Globo foi tentar apurar com técnicos do Ministério da Cultura quais foram os critérios para estabelecer o limite etário.

Segundo as fontes ouvidas pelo jornal, foram dois componentes presentes no filme que levaram à decisão: exibição explícita de membro sexual e sexo grupal. Não foi apenas uma delas, como a aparição em cena de um pênis ereto num contexto sexual, mas o fato disto fazer parte de uma sequência de orgia.

O guia prático que serve de referência para os técnicos da Secretaria Nacional de Justiça, vinculada ao Ministério da Justiça, fazerem a classificação indicativa prevê “situações sexuais complexas” como motivo para vetar um filme a menores de 18 anos. A cena de sexo grupal, com pênis à mostra, foi interpretada dentro deste contexto, o que levou à classificação indicativa de 18 anos.

O relatório com o resumo da análise feita, concluído em 10 de agosto, informa que não há atenuantes para o filme, o que poderia levar a uma classificação mais branda. Pelo contrário, segundo o documento, existe um agravante: “nudez agravada por composição de cena”.

Falando à coluna Gente Boa, também de O Globo, Filho tripudiou. “Se, em 2016, um pênis ereto, filmado à distância, é motivo para ser 18 anos, eu entrego os pontos”, disse, na pré-estreia carioca de “Aquarius”.

Filho, na verdade, não precisa entregar os pontos. Basta entregar o pênis. Cortar alguns segundos do filme para exibir com censura 16 anos, que parece ser a sua preferida. De acordo com a atriz Sonia Braga, na mesma pré-estreia, “há 13 ou 14 segundos de elementos que poderiam ser considerados sexuais no filme”.

Mas será que 14 segundos precisam mesmo virar questão de honra, para preservar a integridade artística de uma obra, nesses tempos de vídeo da “versão do diretor”? Ou o corte não poderia virar até uma jogada de marketing para posteriormente vender disquinhos (DVDs, já que as fábricas brasileiras não fazem Blu-ray de filmes com pênis)? Melhor ainda, numa iniciativa pioneira: que tal oferecer as duas versões no circuito, com exibições da “proibidona” à meia-noite? Lotaria os cinemas.

Claro que, daí, Filho perderia a chance de polemizar. E a gente já sabe o que é mais importante, não é mesmo?

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna