Spirit Awards: “Oscar indie” premia Spotlight e a diversidade que a Academia não viu

 

O filme “Spotlight – Segredos Revelados”, em que jornalistas investigam padres pedófilos, foi o grande vencedor do Spirit Awards, considerado o “Oscar indie”, que premia filmes americanos feitos por produtores independentes com orçamento de até US$ 20 milhões. Além de Melhor Filme, o longa venceu nas categorias de Direção, Roteiro e Edição.

Candidatos mais convencional ao prêmio, “Spotlight” foi dirigido por Tom McCarthy, que no mesmo ano também assinou a comédia bobalhona “Trocando os Pés”, estrelada por Adam Sandler. Ele venceu os indicados “Anomalisa”, “Beasts of No Nation”, “Carol” e “Tangerine”.

Sempre realizado no dia anterior ao Oscar, o Spirit Awards se caracteriza por uma atmosfera oposta a da cerimônia da Academia. Não só pela seleção dos candidatos, mas por acontecer pela manhã, numa tenda à beira-mar – na praia de Santa Mônica, em Los Angeles.

Este ano, porém, o contraste foi ainda maior. Diante da polêmica seleção do Oscar 2016, criticada pela falta de diversidade, o Spirit premiou três atores negros, entre quatro categorias possíveis.

Dois deles se destacaram no filme “Beasts of No Nation”, produção da Netflix ignorada pela Academia. O jovem Abraham Attah, de apenas 15 anos, venceu como Melhor Ator e Idris Elba como Melhor Coadjuvante. O filme acompanha crianças que são obrigadas a virar soldados durante uma guerra civil num país da África ocidental.

A premiação mais ousada, porém, ficou por conta da vitória da transexual negra Mya Taylor como Melhor Coadjuvante, por “Tangerine”. O filme segue o cotidiano de uma prostituta transgênero que descobre que seu namorado e cafetão está lhe traindo com uma mulher.

Entre os intérpretes, a categoria de Melhor Atriz é a única com chances de ser repetida pelo Oscar. Deu Brie Larson, de “O Quarto de Jack”, que já havia vencido o troféu do Sindicato dos Atores – assim como Idris Elba, por sinal.

Outros vencedores que também disputam o troféu da Academia são o longa estrangeiro “O Filho de Saul” (Hungria) e o documentário “O Peso do Silêncio”.

Para completar, a produção com mais indicações, o drama “Carol”, sobre duas lésbicas que vivem um romance discreto nos anos 1950, venceu apenas a categoria de Melhor Fotografia.

Vencedores do Independent Spirt Awards 2015

Melhor Filme
“Spotlight – Segredos Revelados”

Melhor Direção
Tom McCarthy (“Spotlight”)

Melhor Atriz
Brie Larson (“O Quarto de Jack”)

Melhor Ator
Abraham Attah (“Beasts of No Nation”)

Melhor Atriz Coadjuvante
Mya Taylor (“Tangerine”)

Melhor Ator Coadjuvante
Idris Elba (“Beasts of No Nation”)

Melhor Roteiro
Tom McCarthy e Josh Singer (“Spotlight”)

Melhor Roteiro de Estreia
Emma Donoghue (“O Quarto de Jack”)

Melhor Filme de Estreia
“The Diary of a Teenage Girl”

Melhor Fotografia
“Carol”

Melhor Edição
“Spotlight”

Melhor Documentário
“O Peso do Silêncio”

Melhor Filme Estrangeiro
“O Filho de Saul” (Hungria)

Prêmio John Cassavetes
(Melhor Filme de até US$ 500 mil)
“Krisha”

Prêmio Robert Altman
(Melhor Direção de Elenco)
“Spotlight”

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna