Filme de cineasta marroquino vence o César, o Oscar francês

 

Um filme escrito e dirigido por um cineasta marroquino foi o grande vencedor do César 2016, a mais importante premiação do cinema da França, considerado uma espécie de “Oscar francês”.

Dramatização da vida da poeta marroquina Fatima Elayoubi – que virou filme sobre “empregada doméstica imigrante” em notas das agências de notícias reproduzidas por diversos jornais brasileiros – , “Fátima” é o oitavo longa do diretor Philippe Faucon e retrata a relação da poeta com suas duas filhas, além das dificuldades de sua adaptação na França, onde se vê trabalhando como doméstica. Um dia, um acidente a força a tirar licença, e Fátima começa a escrever para as filhas em árabe tudo o que nunca conseguiu expressar em francês.

Além do César de Melhor Filme, “Fátima” venceu nas categorias de Roteiro Adaptado (baseado nos livros de Elayoubi) e Atriz Revelação (a jovem Zita Hanrot, uma das filhas).

Igualmente consagrado, “Cinco Graças”, da diretora turca Deniz Gamze Erguven, venceu quatro troféus importantes: Melhor Filme de Estreia, Roteiro Original, Edição e Trilha Sonora. Já exibido no Brasil, o longa acompanha cinco irmãs adolescentes, que, sob vigilância da família, são reprimidas e forçadas a casamentos arranjados no interior da Turquia.

Curiosamente, este filme não foi apenas dirigido por uma cineasta nascida em outro país, mas também estrelado por estrangeiros e falado em turco. A coincidência ressalta o processo de internacionalização que envolve as produções francesas atuais – já reverenciado no ano passado por meio da consagração do mauritânio “Timbuktu”, grande vencedor do César 2015.

O César de Melhor Atriz foi atribuído à Catherine Frot, por sua interpretação em “Marguerite”, em que vive uma diva tragicômica. Dirigido por de Xavier Giannoli, o longa também levou quatro prêmios, incluindo Melhor Som, Figurino e Cenografia.

O veterano Vincent Lindon ficou com o César de Melhor Ator por “O Valor de um Homem”, que lida com a brutalidade do mundo do trabalho, após vencer a mesma categoria no Festival de Cannes.

Por fim, o prêmio de Melhor Direção ficou com Arnaud Desplechin, pelo pseudobiográfico “Três Lembranças da Minha Juventude”, também já exibido no Brasil e elogiadíssimo pela crítica internacional.

Vale ainda registrar que o vencedor do Festival de Cannes 2015, “Dheepan – O Refúgio”, de Jacques Audiard, não recebeu um troféu sequer, ignorado pelo César. O filme também não empolgou o comitê responsável por selecionar o candidato da França ao Oscar, que acabou preferindo “Cinco Graças” para a disputa de Melhor Filme Estrangeiro. “Cinco Graças” concorre à premiação marcada para domingo (28/2) pela Academia americana.

Vencedores do César 2016

MELHOR FILME
Fátima, de Philippe Faucon

MELHOR DIREÇÃO
Arnaud Desplechin, por Três Lembranças da Minha Juventude

MELHOR ATRIZ
Catherine Frot, por Marguerite

MELHOR ATOR
Vincent Lindon, por O Valor de um Homem

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Sidse Babett Knudsen, por L’Hermine

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Benoit Magimel, por De Cabeça Erguida

ATRIZ REVELAÇÃO
Zita Hanrot, por Fátima

ATOR REVELAÇÃO
Rod Paradot, por De Cabeça Erguida

MELHOR FILME DE UM DIRETOR ESTREANTE
Cinco Graças, de Deniz Gamze Erguven

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Deniz Gamze Ergüven e Alice Winocour, por Cinco Graças

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Philippe Faucon, por Fátima

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Birdman (Estados Unidos)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Demain, por Cyril Dion e Mélanie Laurent

MELHOR ANIMAÇÃO
O Pequeno Príncipe

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Christophe Offenstein, por O Vale do Amor

MELHOR FIGURINO
Pierre-Jean Laroque, por Marguerite

MELHOR CENOGRAFIA
Martin Kurel, por arguerite

MELHOR EDIÇÃO
Mathilde Van de Moortel, por Cinco Graças

MELHOR SOM
François Musy e Gabriel Hafner, por Marguerite

MELHOR TRILHA SONORA
CWarren Ellis, por Cinco Graças

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna