The Birth of a Nation: Filme sobre rebelião de escravos vence Festival de Sundance

The Birth of a Nation: Filme sobre rebelião de escravos vence Festival de Sundance

 

O filme “The Birth of a Nation” foi o grande vencedor do Festival de Sundance 2016. Amplamente reconhecido, levou o troféu principal do júri e também o prêmio do público, além de ter movimentado a negociação mais vultosa da história do festival do cinema independente.

Escrito, dirigido e estrelado por Nate Parker (“Sem Escalas”), “The Birth of a Nation” chamou atenção desde sua première, quando foi plaudido de pé pelo público e rendeu os elogios mais entusiasmados da crítica durante a cobertura do evento deste ano.

O drama escravagista toma emprestado o título de um marco cinematográfico, o clássico do cinema mudo “Nascimento de uma Nação”, dirigido em 1915 por D.W. Griffith. O “Nascimento” original descrevia os negros de forma estereotipada e apresentava os integrantes da organização racista Ku Klux Klan como heróis. O novo é seu oposto, girando em torno de Nat Turner (vivido por Nate Parker), escravo que liderou uma rebelião de 48 horas contra fazendeiros no estado da Virgínia em 1831, provocando uma retaliação violenta dos brancos. O elenco também inclui Armie Hammer (“O Agente da UNCLE”) e Jackie Earle Haley (“A Hora do Pesadelo”).

Na entrevista coletiva do festival, Parker contou que trabalhou no desenvolvimento do filme por sete anos, mas encontrou muitas dificuldades para levar o projeto adiante. Alguns investidores lhe disseram que “não havia público para essa história” e que “as pessoas fora do país não querem ver gente de cor”. Por isso, precisou investir de seu próprio bolso e sacrificar algumas prioridades de sua vida.

A situação mudou drasticamente após a repercussão do filme em Sundance, que levou os estúdios de Hollywood a brigarem pelo direito de distribuí-lo nos cinemas, pois a obra já é tida como um potencial favorito ao Oscar 2017. A Fox Searchlight acabou ficando com a produção por US$ 17,5 milhões, o valor mais elevado já pago pela distribuição de um filme do festival. Mas consta que o Netflix chegou a oferecer até US$ 20 milhões. Na hora de se decidir, o diretor optou pela Fox, baseando-se na distribuição do vencedor do Oscar 2014, “12 Anos de Escravidão”.

Durante o agradecimento, porém, Nate Parker não perdeu a chance de cutucar a Academia, aludindo à falta de diversidade do Oscar 2016. “Obrigado Sundance por criar uma plataforma para nós crescermos, ao contrário do que o resto de Hollywood está fazendo”, disse o cineasta.

“The Birth of the Nation” foi o quarto filme consecutivo a fazer dobradinha na premiação do Júri e do Público no Festival de Sundance. Os anteriores foram “Fruitvale Station: A Última Parada” (2013), “Whiplash – Em Busca da Perfeição” (2014) e “Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer” (2015).

Entre os filmes estrangeiros, o prêmio do júri foi para “Sand Storm”, drama israelense que relata a luta das mulheres de uma cidade beduína. Já o público preferiu o colombiano “La Ciénaga entre el Mar y la Tierra”, de Manolo Cruz e Carlos Castillo, sobre o drama de uma mãe e seu filho doente.

Júri e público também se dividiram entre o melhor documentário americano. Enquanto o júri preferiu “Weiner”, sobre um político americano envolvido num escândalo sexual, o público premiou “Jim: The James Foley Story”, dedicado ao jornalista americano decapitado pelo Estado Islâmico em 2014.

Entretanto, as opiniões – e as premiações – convergiram em relação ao melhor documentário estrangeiro: “Sonita”, a história de uma refugiada afegã que sonha em virar a nova Rihanna, mas se vê forçada pela família a um casamento arranjado.

Vencedores do Festival de Sundance 2016

CINEMA AMERICANO

Melhor Filme
The Birth of a Nation

Melhor Direção
Daniel Scheinart e Daniel Kwan, por Swiss Army Man

Melhor Documentário
Weiner

Melhor Direção de Documentário
Roger Ross Williams, por Life, Animated

Prêmio do Público – Filme
The Birth of a Nation

Prêmio do Público (Documentário)
Jim: The James Foley Story

CINEMA MUNDIAL

Melhor Filme
Sand Storm

Melhor Diretor
Felix van Groeningen, por Belgica

Melhor Documentário
Sand Storm

Melhor Diretor – Documentário
Michal Marczak, por All These Sleepless Nights

Prêmio do Público – Filme
La Ciénaga entre el Mar y la Tierra

Prêmio do Público – Documentário
Sonita

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna