Mercado de cinema passa longe da crise com aumento de público e bilheteria no Brasil

Mercado de cinema passa longe da crise com aumento de público e bilheteria no Brasil

 

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) divulgou seu balanço anual, revelando os números da indústria cinematográfica no Brasil em 2015. E os números são expressivos. Não só houve aumento de 11% na quantidade de espectadores por salas de cinema no país, como a renda foi cerca de 20% superior à do ano passado. Longe da crise, os cinemas brasileiros lotaram em 2015, com 172,9 milhões de espectadores e uma bilheteria de R$ 2,35 bilhões.

De acordo com a Superintendência de Análise de Mercado da Ancine, essas são as maiores taxas de crescimento de bilheteria e de público registradas nos últimos cinco anos, e tanto os filmes brasileiros quanto os estrangeiros contribuíram para esse aumento.

Mais pessoas viram filmes nacionais em 2015 que no ano anterior – 22,5 milhões de espectadores ante os 19,1 milhões em 2014. O número absoluto de ingressos vendidos para a produção brasileira também foi o terceiro maior do período analisado (de 2009 a 2015).

Em 2015, foram lançados 128 longas-metragens nacionais. Comparado a 2014, com 114 lançamentos, houve um aumento de 12,3% de títulos brasileiros nos cinemas. Mas entre os títulos brasileiros exibidos no ano, apenas sete filmes ultrapassaram a marca de 1 milhão de espectadores. Em levantamento anterior, a Ancine já tinha revelado que as 10 maiores bilheterias de 2015 foram comédias, realizadas em coprodução com a Globo Filmes, o que configura uma concentração que não deve ser comemorada.

Apesar da falta de variedade entre os blockbusters nacionais, houve um crescimento do parque exibidor brasileiro, que encerrou 2015 com um pouco mais de 3 mil salas em funcionamento. O país não atingia esta marca desde 1977. No ano passado foram inaugurados 58 complexos, totalizando 252 novas salas. Outros 11 complexos foram reabertos e oito ampliaram seu número de telas. No total, houve um acréscimo de 304 novas telas.

O crescimento foi mais intenso na região Sudeste, que ganhou 165 novas salas, sendo 91 delas no estado de São Paulo. Não é à toa, portanto, que muitos filmes só são exibidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, raramente chegando a outros estados.

Outro dado curioso é o avanço do processo de digitalização nas salas de cinema. De acordo com o levantamento, o parque exibidor chegou ao final do ano com 2.775 salas digitalizadas, o que representa 92% das salas do país. Em 2014, o percentual era de 62,5%.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna