Tutuca (1932 – 2015)

 

Morreu o comediante Tutuca, criador de um dos personagens mais famosos do humorismo brasileiro, que fez rir diversas gerações em programas como “Balança Mas Não Cai”, “A Praça É Nossa” e “Zorra Total”. Ele faleceu na manhã de quinta-feira (3/12), aos 83 anos, no Hospital Barra D’Or, no Rio de Janeiro, onde deu entrada para tratamento de uma pneumonia.

Usliver João Baptista Linhares nasceu em 1932 e ganhou o apelido Tutuca ainda na infância. O nome pegou quando ele se lançou comediante em programas de rádio, durante a década de 1950. Ele participou do elenco original do sucesso radiofônico “Balança Mas Não Cai”, continuando na atração durante a transição do programa para a TV.

Sua estreia no cinema aconteceu em 1959, no filme “O Homem do Sputnik”, ao lado do grande astro das chanchadas Oscarito. Depois disso, acompanhou Ronald Golias em “O Homem que Roubou a Copa do Mundo” (1961), Zé Trindade em “Bom Mesmo É Carnaval” (1962) e Almeidinha em “Quero Essa Mulher Assim Mesmo” (1963), sua última chanchada.

O fim das comédias rasgadas no cinema coincidiu com a ascensão do humor na TV, e Tutuca passou pelo clássico programa “Noites Cariocas”, na TV Rio, com Golias, Costinha e Dercy Gonçalves, antes de parar na rede Globo em 1966, estreando no humorístico “Riso Sinal Aberto”. Em 1968, ele virou um dos destaques do “Balança Mas Não Cai” televisivo, que incluía Paulo Gracindo, Lúcio Mauro, Costinha, Brandão Filho, Berta Loran e Zezé Macedo, trabalhando ainda como roteirista da atração.

“Balança Mas Não Cai” também passou pela TV Tupi, a partir de 1972, e teve uma segunda encarnação na Globo durante os anos 1980, sempre com a presença de Tutuca. O sucesso do humorístico devia-se ao seu aprimoramento do humor de esquetes, que, apesar de se originar do rádio, resiste até hoje na TV. A fórmula se diferenciava do simples programa de piadas ao incluir um contexto responsável por reunir seus diversos comediantes: o prédio treme treme que balançava, mas não caía, no qual moravam, trabalhavam ou visitavam seus diversos personagens de bordões marcantes. Tutuca vivia o faxineiro Clementino, que, embora tímido, estava sempre de olho na mulherada, lançando o bordão “Como é boa essa secretária (vizinha). Ah, se ela me desse bola…”

Clementino fez tanto sucesso que passou a ter participações em outros programas, como “A Praça É Nossa”. Mas Tutuca também foi criador dos personagens Chefinho, que implicava com Dona Dadá, e o gay Magnólio, do bordão “Meninos, eu vi”. Além disso, costumava embutir um famoso ‘xiiii…’ em seu textos, que sempre levantava a platéia, gerando claques espontâneas.

Ele voltou aos cinemas em 1974 em seu único papel de protagonista, no auge das pornochanchadas, encarnando o personagem-título de “Onanias, o Poderoso Machão”, que na verdade era o entregador virgem de uma fábrica de sutiãs.

Mais recentemente, participou de “Os Normais – O Filme” (2003) como pai de Marisa Orth, e da comédia “A Guerra dos Rocha” (2008), dirigida por Jorge Fernando. Na TV, apareceu ainda na série “Sob Nova Direção” e no humorístico “Zorra Total”.

A saúde do comediante estava debilitada após sofrer três AVCs, e ele não andava mais. Mas, segundo sua mulher Denise, “até doente ele era piadista. Gostava do que fazia”.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna