Crítica: Tudo o que Aprendemos Juntos é filme “do bem” com fórmula hollywoodiana

 

Na melhor tradição do chamado “filme de professor”, que já rendeu exemplares comoventes como “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989), “Mr. Holland – Adorável Professor” (1995), “Entre os Muros da Escola” (2009), “O Que Traz Boas Novas” (2011) e especialmente “Música do Coração” (1997), pela temática musical, “Tudo Que Aprendemos Juntos” é um “filme do bem”, que conta a história real da formação da Orquestra Sinfônica Heliópolis, bem-sucedido trabalho de jovens da periferia de São Paulo que contou com a ajuda de um músico exigente.

Dirigido por Sérgio Machado (“Cidade Baixa”), o filme enfatiza o drama de Laerte (Lázaro Ramos, de “O Vendedor de Passados”), um jovem e dedicado violinista baiano que está em na capital paulista com fins mais ambiciosos, visando entrar para a Osesp – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Logo no começo do filme, vemos o seu estado de completo nervosismo e travamento na hora de se apresentar em uma audição.

Vencido pelo medo e frustrado por também não estar conseguindo dinheiro para se manter adequadamente e ainda ajudar a família na Bahia, Laerte aceita trabalhar como professor de uma pequena orquestra bem desafinada de uma escola da periferia. Demora um pouco para ele perceber as dificuldades e os dramas daqueles jovens, bem como se habituar ao encontro nada agradável com os traficantes do local, mas aos poucos aquela missão passa a motivá-lo mais do que o seu sonho de entrar na Osesp.

“Tudo Que Aprendemos Juntos” carrega um bocado no melodrama, seguindo a cartilha hollywoodiana das histórias de superação, que se manifestam por meio do relacionamento de respeito e amizade entre um professor de bom coração e seus alunos carentes. Neste sentido, busca um registro mais acessível e popular que os trabalhos anteriores de Machado, como “Cidade Baixa” (2005), “Quincas Berro D’Água” (2010) e “A Coleção Invisível” (2012), mais sofisticados em sua dramaturgia e direção. Até a escolha das músicas eruditas, especialmente a seleção de Bach e Vivaldi, ajuda a carregar nas notas sentimentais.

O filme, porém, permite um registro quase documental em algumas cenas, como a briga de duas alunas no primeiro dia de aula, capaz de comover, sem manipular, qualquer profissional da educação, tristemente familiarizado com a situação.

Vale destacar ainda que Lázaro Ramos faz um trabalho correto, mas é facilmente eclipsado em cena por alguns dos jovens atores que compõem a orquestra da escola, seja o rapaz que tem uma sensibilidade especial para a música, seja o garoto-problema que alcança a superação depois de uma tragédia. É com eles que o filme ganha em emoção, justificando o voto do público que o elegeu melhor filme brasileiro da última Mostra de São Paulo.

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Ailton Monteiro é professor e vai ao cinema com frequência desde os 16 anos de idade. Mantém o blog Diário de um Cinéfilo, premiado com o Quepe do Comodoro de melhor blog de cinema em 2004.