Polícia de Nova York organiza boicote aos filmes de Quentin Tarantino

Polícia de Nova York organiza boicote aos filmes de Quentin Tarantino

 

O sindicato de policiais de Nova York decidiu organizar um boicote aos filmes de Quentin Tarantino após o premiado diretor protestar contra as mortes de suspeitos desarmados nas mãos da polícia.

“Não é surpresa que alguém que faz filmes glorificando a violência odeie policiais também”, afirmou Patrick Lynch, presidente da Patrolmen’s Benevolent Association. “É hora de um boicote aos filmes de Quentin Tarantino”, conclamou, antes de completar: “Os policiais que Quentin Tarantino chama de ‘assassinos’ não fazem parte de nenhum de suas fantasias depravadas – eles estão arriscando e muitas vezes sacrificando as próprias vidas para proteger comunidades de crimes e desordens reais”.

O diretor se indispôs com a polícia ao participar de uma marcha que reuniu centenas de pessoas em Nova York em 24 de outubro, para protestar contra a brutalidade policial e, especialmente, a morte de muitos suspeitos negros ao longo do ano. “Nada tem sido feito sobre isso. É esse o motivo de estarmos aqui”, afirmou Tarantino à AFP durante o protesto.

Após a reação da polícia nova-iorquina, Tarantino deu entrevista ao jornal Los Angeles Times, em que contra-atacou. “A mensagem deles é muito clara. É para me calar. Para me tirar o crédito. Para me intimidar. É para calar a minha boca, e, ainda mais importante que isso, é para mandar uma mensagem para qualquer outra pessoa influente que possa sentir a necessidade de juntar-se àquele lado da discussão”.

O próximo filme de Tarantino, “Os 8 Odiados”, sobre caçadores de recompensas do Velho Oeste, vai estrear nos Estados Unidos no Natal – e em 14 de janeiro no Brasil. A obra segue o sucesso do primeiro western do diretor, “Django Livre” (2013), que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro e diversos prêmios.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna