Perdido em Marte e Joy disputarão o Globo de Ouro como comédias

 

O comitê da Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood, que organiza anualmente a premiação do Globo de Ouro, decidiu que os filmes “Joy: O Nome do Sucesso” e “Perdido em Marte” vão competir como Comédias na cerimônia deste ano. Comédias… ou Musicais, afinal, o nome da categoria é Filmes de Comédia ou Musical.

O musical marciano e a comédia cinebiográfica cumprirão, assim, a missão de preencher vagas e garantir prêmios em categorias esvaziadas, como Melhor Atriz de Comédia ou Musical, praticamente já definido para Jennifer Lawrence no anúncio desta semana.

A tática é uma forma de evidenciar filmes que poderiam ter dificuldades de premiação como dramas. No Globo de Ouro de 2014, por exemplo, “Nebraska” e “O Lobo de Wall Street” concorreram como Comédias – ou Musicais!

Se a decisão de definir “Joy: O Nome do Sucesso” como comédia acompanha a tradição de dar prêmios aos filmes do superestimado David O. Russell, é mais difícil imaginar “Perdido em Marte” como uma produção engraçada – ou musical! A definição acabou acontecendo por apenas um voto, e seguiu solicitação do estúdio 20th Century Fox, que ao manifestar sua preferência já projeta prêmios na disputa com as piadas do ano.

A cinebiografia “Trumbo” também queria concorrer como comédia, mas até o Globo de Ouro tem limites.

Não deixa de ser desmoralizante, porém, que dramas possam disputar como comédias, na contramão da decisão do Emmy 2015, que impediu as redes de TV de buscarem essa facilidade. Graças à firmeza do Emmy, “Orange Is the New Black” deixou de ser comédia para se assumir drama, inclusive vencendo prêmios na nova e correta categoria.

Os indicados ao Globo de Ouro 2016 serão anunciados no dia 10 de dezembro e a cerimônia de premiação será realizada um mês depois, no dia 10 de janeiro, com apresentação do comediante Ricky Gervais.

Comente

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna