Takashi Miike é um cineasta japonês, nascido em Osaka, em 1960, muito atuante e extremamente produtivo em seu país. Basta dizer que, entre 1991 e 2011, ele realizou mais de 80 filmes como diretor, 18 como ator, entre outras funções no cinema.
É espantoso que nunca nenhum filme dele tenha sido lançado no circuito comercial no Brasil. Quem conhece alguns de seus filmes é porque acompanhou uma mostra especial de seus trabalhos, baixou pela internet, viu dos poucos DVDs de sua filmografia lançados por aqui ou frequentou um festival internacional. A barreira só é quebrada agora, quando finalmente entra em cartaz nos cinemas “13 Assassinos”, que ele dirigiu em 2010.
Percebe-se de imediato que se trata de um cineasta experiente, que sabe o que quer e o que fazer das imagens. O filme tem belos planos gerais, planos de detalhes muito expressivos, uma câmera ágil, cenas de batalhas impressionantes e ação muito intensa. Tudo no seu cinema flui, demonstrando amplo domínio de sua arte.
É fato que ele abusa de sangue e violência, marcas registradas de sua vasta filmografia. Em “13 Assassinos”, cria situações exageradas e inverossímeis. Parece se divertir um pouco à custa do espectador. Mas ninguém poderá dizer que não viu um belo espetáculo. E que por trás de toda aquela violência não houvesse um sentido crítico.
A história é simples, e não importa muito, já que o trunfo de Takashi Miike é o seu poder de nos impressionar com suas imagens.
O lorde Naritsugu (Gorô Inagaki) estupra e mata, achando que pode tudo, por ser irmão do Xogum. Não esperava, porém, por uma missão de vingança organizada com a específica função de matá-lo. Tal missão, de caráter suicida, será levada a cabo pelos tais 13 assassinos, que, em brutal desvantagem, enfrentarão mais de 200 contendores e precisarão de muita inteligência e astúcia para não ser simplesmente massacrados, sem conseguir levar a termo seu objetivo. Caberá a um samurai experiente, Shimada (Kôji Yakusho), cumprir a inglória tarefa.
Trata-se de um filme de samurai, um épico coberto de sangue e horror, que também é um espetáculo competente de cinema. Muitos, é claro, passarão longe de se interessar por batalhas sangrentas, haraquiri, cabeças cortadas em nome do próprio respeito e da honra. Mas quem tiver mais sangue frio para observar as cenas com atenção, certamente se interessará pelo trabalho de Miike e desejará ver outros filmes dele.
É um cineasta que conhece seu ofício, produziu muito e certamente por isso apurou sua técnica. É pena que o grande público brasileiro o desconheça totalmente. Quem sabe, a partir de “13 Assassinos”, essa história comece a mudar.
13 Assassinos
(Jûsan-nin no Shikaku, Japão, 2011)


































